Em Foco: 23 anos sem Bukowski

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Ontem, quinta-feira (9), completou 23 anos desde que Charles Bukowski nos deixou. Porém, com o passar dos anos, sua obra o tornou imortal. O alemão, naturalizado norte-americano, começou a escrever poesia aos 15 anos, mas só passou a se dedicar totalmente a escrita aos 49 anos. Nesse intervalo, fez de tudo um pouco: foi entregador, faxineiro, frentista, carteiro, motorista, entre outras coisas.

Tendo como influência escritores como Fiódor Dostoiévski, Ernest Hemingway e expoentes da Geração Beat, Charles se tornou dono de um estilo de caráter simples e inconformado. Foi escrevendo de maneira acessível – e muitas vezes agressiva -, foi colocando no papel toda a sua insatisfação com os padrões impostos pela sociedade, que o “velho safado” conquistou vários seguidores.

Além de escancarar a sua inconformidade com regras, Buk soube como ninguém ser corajoso. Escrevia o que ninguém tinha coragem de falar, era obsceno quando ninguém tinha a audácia de expor seus próprios desejos, era intenso e provou que era possível falar de porres, mostrar que temos sim fragilidade e citar o amor (ou desamor) ao mesmo tempo.

Bukowski nunca quis a gloria. Escrevia por necessidade, porque, quando escrevia, se sentia vivo e mais humano. Escrevia para afogar tudo e todos, e a bebida o auxiliava… Viver como Bukowski viveu exige grande coragem, e lê-lo, também. Ler Buk é ter consciência de que não se adequa em quase lugar nenhum e, mesmo assim, continuar. É encontrar abrigo numa bebida barata, em uma foda e em uma frase rude do velho. É saber, sobretudo, que beira a loucura. Mas afinal, ‘quem estabelece a norma?’

Aí na outra dimensão: Obrigada, Bukowski.

Não há nada a lamentar sobre a morte, assim como não há nada a lamentar sobre o crescimento de uma flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não levam até a sua morte.” (Charles Bukowski em O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio)

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