Especial Raul Seixas 70 anos – O Início: Só quem é fã de Raul vai entender…

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Misturar rock americano com música baiana? Quem foi o louco que inventou isso? Sim, ele era mesmo louco e seu nome era Raul Santos Seixas. No dia 28 de junho desse ano, Raul completaria 70 anos. Para saber da história desse grande cantor e pensador, basta pesquisar na internet para encontrar uma avalanche de informações sobre a vida dele. Mas a galera que é fã do “Maluco Beleza” sabe que nenhuma informação vale mais que a presença de suas músicas em cada fase da vida.

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A maioria dos fãs do Raul tiveram o primeiro contato com música dele ainda na infância. Sem entender nada daquelas letras, muitos só curtiam as batidas do baião de “Mosca na Sopa” e “Capim Guiné”. O som era bom, e ainda é. Raul era encantado por filosofia e quando criança passava horas trancado no quarto ou na biblioteca do pai tentando entender o sentido do universo, assim como a maioria dos adolescentes que querem entender os porquês da vida. Ouvir “Metamorfose Ambulante” é encantador, pois descreve tudo o que se passa na cabeça de um jovem que quer descobrir o mundo. Afinal, “por que precisamos ter aquela velha opinião formada sobre tudo?”. A sensação de se identificar com o pensamento de Raul por meio dessa letra é maravilhosa!

Raul conseguiu misturar Rock e Baião, afinal, como ele mesmo dizia: "Elvis e Luiz Gonzaga é a mesma coisa"
Raul conseguiu misturar Rock e Baião, afinal, como ele mesmo dizia: “Elvis e Luiz Gonzaga é a mesma coisa”

Depois do primeiro contato com a letra de Raulzito e de se identificar tanto com ela, começam as buscas para saber mais sobre esse homem. Ouvir “Maluco Beleza” é para se declarar fã do cara de vez! Parece que Cláudio Roberto e Raul compuseram a música especialmente para as pessoas que estão cansadas da lucidez dessa sociedade. Cadê a individualidade do ser humano, poxa? Talvez a letra de “Eu Nasci há 10 Mil Anos Atrás” explique onde ela esteja, já que, contextualiza a história do mundo melhor que muitos professores que existem por aí. Raul também era professor… da vida!

Cada letra, cada melodia, cada mensagem subliminar… é como se todo fã de Raul entendesse o que ele queria dizer em suas “obras de arte”. Quem não achou incríveis as roupas, o cabelo bagunçado, a barba enorme, o jeito meio “hippie” de conversar e as coisas inteligentes que ele falava? Talvez por isso Raul casou-se tantas vezes e teve tantos amigos. Ninguém resistia aos encantos de “Raulzito”. E qual fã nunca pensou na sorte que as filhas dele têm só por serem filhas dele? Ah, fala sério! Qualquer pessoa que curte o som do “Maluco Beleza” queria tê-lo como pai. O cara era incrível!

"Porque quem gosta de maçã, irá gostar de todas porque todas são iguais"
“Quem gosta de maçã irá gostar de todas, porque todas são iguais”

Embora gostasse de compor músicas melancólicas, Raul também compôs algumas músicas românticas. Todas elas são de mexer com qualquer coração. Paixonite aguda na juventude pede “Coisas do Coração” como trilha sonora (essa música é linda!). E o sonho de qualquer fã de Raulzito é ouvir um “Tu és o MDC da Minha Vida” (é a melhor declaração de amor que alguém pode dar). Levar um fora? É um convite para ouvir “A Maçã” e “Medo da Chuva” com certeza. Passar por aquela fase da vida em que não se sabe quem é e nem para onde vai, é apenas uma desculpa para ouvir “O Trem das Sete” e “Tente Outra Vez”. Rapidinho a “crise existencial” vai embora.

Agora, quando nós, fãs de carteirinha, só queremos admirar o trabalho do “Pai do Rock Brasileiro”, colocamos “Ouro de Tolo” na vitrola e ficamos admirando esse som, que é simplesmente libertador. Todo admirador do “Maluco Beleza” ouviu “Sociedade Alternativa”, “Super-Heróis” ou todas as músicas dele que foram censuradas, como “Como Vovó já Dizia” ou “D.D.I. (Discagem Direta Interestelar)” e ficou imaginando o que esse homem sofreu durante a Ditadura Militar. “Como alguém pode ser censurado por querer igualdade entre as pessoas?” O cara só queria uma “sociedade alternativa”, onde homens e mulheres fossem vistos como estrelas, livres para fazer o que quisessem. É crime querer isso? Infelizmente, naquela época era. Mas a música de Raul era tão boa, mas tão boa, que superou qualquer censura.

Enfim, se ficar aqui falando de cada música do “Pai do Rock” que marcou ou ainda marca a vida dos fãs, ficaremos em frente a tela do computador durante dias, pois cada música do Raul é especial de forma singular. Existem muitos “Raulseixistas” espalhados pelo mundo e muitos ainda estão para nascer. Raul é uma lenda, um astro, um ícone, uma inspiração, e assim como a música boa (aquela que nunca morre), Raul não morreu e nunca morrerá. Ele está presente nos corações e nos ouvidos dos seus discípulos que passarão o seu legado de geração em geração, por 70, 80, 90… 1.000 anos, ou melhor, 10 mil anos! Viva Raul!

 Raridade! Raul rindo e cantando Metamorfose Ambulante ao vivo:

 

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