‘Êxodo: Deuses e Reis’ é taxado de antibíblico e foi proibido no Egito

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Com um custo estimado em pouco mais de 140 milhões de dólares, o filme “Êxodo: Deuses e Reis” arrecadou apenas 24 milhões em sua primeira semana de exibição. Segundo especialistas, será preciso uma performance surpreendente no restante do mundo para não ser mais uma adaptação bíblica fracassada. A exemplo do que aconteceu com “Noé”, que foi massacrado pela crítica e rendeu bem menos do que o esperado, “Êxodo” foi muito criticado por não fazer uma leitura cinematográfica fiel do texto bíblico.

O diretor Ridley Scott conseguiu atrair a fúria de ativistas americanos que classificaram o filme como “racista” e pediram boicote. Teólogos cristãos e judeus também recomendaram que os fiéis não vejam o longa.

Os problemas começaram quando se divulgou ano passado quem viveria os personagens principais. Todos são artistas brancos, o que seria pouco provável numa narrativa passada no Egito, um país africano. Mais do que isso, os negros que aparecem no filme são retratados como um ladrão, um assassino, um serviçal do faraó ou um cidadão egípcio de classe baixa.

Ridley Scott chegou a comentar o assunto em entrevistas, atribuindo suas escolhas a pesquisas de marketing. De fato, é sabido que faces conhecidas e atores de renome facilitam a aceitação por parte do público. Christian Bale, que interpreta Moisés, também não ajudou muito o departamento de marketing ao declarar que via seu personagem como um “terrorista” e fez críticas aos judeus em geral.

Um dos aspectos que mais chatearam os teólogos que já viram o filme é o fato de Deus ser representado como uma “criança voluntariosa”.  O ator britânico Isaac Andrews, de 11 anos de idade, oferece sua voz e rosto para a ideia do ‘Todo Poderoso’ que se comunica com Moisés. Ele substitui a sarça ardente onde o Senhor falou com Moisés no deserto.

“Para qualquer pessoa que tenha alguma relação com Deus e as Sagradas Escrituras, seria difícil aprovar o que foi feito”, disse Chris Stone.

Também não ajudam as declarações de Christian Bale, que chamou o Deus do Velho Testamento de “volátil” e Moisés de “esquizofrênico” por acreditar que falava com Deus. Diversos sites cristãos deram espaço para as declarações, gerando controvérsia.

Sessões canceladas

O polêmico filme já foi proibido no Egito e teve várias de suas sessões canceladas no Marrocos. O motivo da proibição no Egito é que, de acordo com a censura local, o novo filme dirigido por Ridley Scott traria uma “visão distorcida” em torno da vida de Moisés. Abdel Sattar Fathi, chefe da censura egípcia, lamentou que o filme mostre que “os judeus estiveram envolvidos na construção da pirâmide de Ghiza como povo eleito por Deus” e que passe a impressão de que os egípcios teriam torturado os judeus. Além disto, Êxodo teria manipulado os ensinamentos do Alcorão, o livro sagrado do islã.

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Outro país onde Êxodo: Deuses e Reis tem enfrentado problemas é no Marrocos. Apesar de não ter ocorrido uma proibição oficial do governo, o longa-metragem teve várias de suas sessões repentinamente canceladas. Ainda não houve um posicionamento oficial nem dos exibidores locais nem do Centro Cinematográfico Marroquino sobre o assunto.

No Brasil, Êxodo: Deuses e Reis está em cartaz desde a quinta-feira (25), após atrair pouco mais de 150 mil espectadores nas pré-estreias realizadas na semana passada.

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