Pensei, Digitei: A falta de seriedade no jornalismo do SBT

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Na estreia da coluna semanal “Pensei, Digitei”, vou expor a minha opinião a respeito do jornalismo do SBT.

Quando inaugurado em 1981, uma das propostas do SBT, até então TVS, era ter uma base de programação nos seguintes elementos: entretenimento, novelas e jornalismo. Uma coisa não muito diferente do que já era adotado pela Globo, líder em audiência desde a década de 70.

De fato o entretenimento foi fator presente no DNA da emissora, com atrações que fizeram história e ajudaram no crescimento e sucesso do sonho do empresário Silvio Santos. Novelas, de início, receberam um singelo investimento, sendo reforçadas pouco tempo depois com produções estrangeiras. Já o jornalismo, desde o seu início, parece por simplesmente existir por existir, sem uma razão, um objetivo.

O dono do SBT já fez diversas declarações a respeito do jornalismo em sua emissora, como por exemplo, ser contrário ao âncora expor opiniões (tempos depois contratou Boris Casoy, o primeiro âncora do telejornalismo brasileiro), assim como também chegou a propor aos demais canais que seguissem um modelo de exibição adotado nos Estados Unidos, onde todas as emissoras transmitissem juntas os seus telejornais em horário nobre.

O fato é que um setor tão essencial pra um grande veículo de comunicação como o SBT nunca foi, de fato, levado a sério. Durante estes 35 anos, diversos produtos jornalísticos passaram pela grade. Ora ficavam poucos dias no ar, como o caso do “SBT São Paulo”, ora mudavam de horário a cada dia da semana, caso do “SBT Brasil” em seus primeiros anos.

Vítimas da inconstante paciência e planejamento de seu dono, os noticiários sofreram e simplesmente não criaram hábito, nem identidade e muito menos um respeito que outras emissoras conseguiram perante o público.

Em raros casos, a emissora apresentou investimento no setor, como foi com o “TJ Brasil”, “Aqui Agora” e mais recentemente, “SBT Brasil” com Ana Paula Padrão. Mas como de costume, tudo foi abaixo pela falta de planejamento em dar continuidade à cada um dos projetos citados.

Baixos investimentos, equipes reduzidas, matérias reprisadas, projetos cancelados, nada disso foi o suficiente pra mais uma medida por parte do dono do SBT. Recentemente, numa medida literalmente de surpresa, Silvio Santos resolveu colocar um jovem de 18 anos a frente de um telejornal em rede nacional.

Sim, muito já se falou a respeito, alguns inclusive de forma repetitiva, mas cabe lembrar o quanto uma atitude como essa pode prejudicar uma imagem que sofre pra ter credibilidade e confiança não só diante do público como também do mercado publicitário. A ideia de colocar alguém praticamente sem experiência em um produto essencial como um telejornal é um desrespeito também para com os demais profissionais da casa que há anos sofrem com a dança de cadeiras entre os noticiários.

Eduardo Camargo, o apresentador do “Primeiro Impacto”, completa hoje duas semanas no ar. A audiência, que chega a beirar 1 ponto em certos momentos, só demonstra duas coisas: que o público mais uma vez não dá confiança ao jornalismo da emissora e de que mais uma vez Silvio Santos não leva esse setor a sério.

Que um dia a alta direção da emissora possa dar o devido respeito e investimento a todos que escolheram seguir por esta carreira e que na emissora escolheram trabalhar.

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