Pensei, Digitei: Novos tempos de solidariedade na TV

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Silvio Santos no "Teleton". (Foto: Reprodução)

No último final de semana, foi realizada a 19ª edição do “Teleton”, projeto realizado pela AACD em parceria com o SBT. Lançada em 1998, a campanha tornou-se a maior plataforma de captação de recursos da televisão brasileira. E não é pra menos.

Com mais de 27 horas de duração ininterrupta, presença de centenas de artistas e diversas formas de arrecadação, o evento consegue anualmente uma grande quantia em milhões para que uma das mais importantes instituições para pessoas com deficiência continue o seu trabalho.

Por outro lado, temos uma outra importante campanha: o “Criança Esperança”, realizado pela Rede Globo desde os anos 80, em parceria com a UNESCO (anteriormente com a Unicef). Lá, apesar de não ter a mesma magnitude de duração e quantidade de convidados como o projeto feito pela emissora de Silvio Santos, a campanha encabeçada por Renato Aragão por muitos anos, tornou-se a principal campanha para arrecadação de recursos à crianças carentes.

Durante muitos anos, por crença popular, criou-se uma rivalidade sem sentido entre as duas campanhas, como uma tentativa de mostrar que uma é mais relevante que a outra. Deprimente. Quebrando essa crença, surgiu uma atitude que surpreendeu a todos.

Em julho deste ano, mês de realização do “Criança Esperança”, o SBT divulgou a campanha da emissora concorrente em dois de seus programas: o “Programa do Ratinho” e o “Domingo Legal”. Relatando a devida importância da campanha que apoia a tantos projetos Brasil afora, os animadores informaram ao público as formas de contribuir com o evento.

Como retribuição, a Rede Globo também utilizou de dois de seus programas (“É de Casa” e “Domingão do Faustão”) para divulgar o trabalho realizado pela AACD, reforçando os telefones para doação ao “Teleton 2016”.

Ambas atitudes surpreenderam ao público, porém não deveriam, afinal é de se esperar que grandes veículos de comunicação abracem uma causa, independente de qual seja. Por que não a Globo abraçar uma causa realizada pelo SBT e vice-versa? Existem pontos negativos para isso? Obviamente que não, todos saem ganhando.

Em suas devidas restrições de audiência, o “Criança Esperança” arrecadou pouco mais de R$16 milhões, assim como o “Teleton” pouco mais de R$27 milhões. Um resultado grandioso para as duas campanhas, mas que podem ir muito além se a união entre as emissoras se fortalecer nos próximos tempos.

De fato uma transmissão simultânea dos eventos entre, não somente Globo e SBT, mas com as demais emissoras torna-se algo difícil de se imaginar. Mas os primeiros passos foram dados e devem partir de todas o restante dessa caminhada, uma caminhada que vai resultar em vidas transformadas graças a união que pode vencer qualquer barreira de rivalidade e disputa em audiência.

Se para muitos seria impossível a Globo citar o “Teleton” em sua programação, assim como o “Criança Esperança” no SBT, por que não ir além?

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