Pensei, Digitei: O público clama por um domingo menos sofrível

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Na coluna desta semana do “Pensei, Digitei”, gostaria de destacar um elemento que se tornou característico da TV nos domingos: o assistencialismo.

Quando a TV chegou ao Brasil em 1950, dois segmentos tornaram-se os campeões em audiência: as telenovelas, recém-chegadas das rádios, e os grandes festivais musicais. Esses dois fatores que deram grandes índices de audiência para a TV Tupi e a Rede Record nas duas primeiras décadas de televisão em nosso país.

Os anos se passaram, outras emissoras surgiram e com elas, as novidades. De forma tímida, ainda nos anos 50, dois grandes nomes da história da nossa TV surgiram e deram o início a um novo segmento, o programa de auditório: tratava-se de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, e a eterna dama do nosso amado veículo Hebe Camargo. Mas anos depois que esse novo nicho de atração ganhou força.

Com a chegada de novas emissoras, entre elas a Globo, e a descoberta de novos talentos, como o Silvio Santos, os programas de auditório foram ganhando força, credibilidade e claro, a audiência do público.  Confirmando esse fato, um dos saudosos programas apresentados pelo atual dono do SBT teve mais audiência que a chegada do homem à lua, em 1969. Estava comprovado o sucesso das atrações com caravanas.

Carlos Imperial, Flávio Cavalcanti, Bolinha, Silvio Santos, Chacrinha, Hebe Camargo…ufa! Anos 70 e a nossa amada TV já tinha um belo time de apresentadores/animadores nas casas dos brasileiros.

Mas qual seria o segredo pra tamanho sucesso desses programas? Talvez a originalidade, a criatividade, a simplicidade de alguns que, apesar disso, sabiam entreter o público presente no estúdio e também o de casa.

Novos talentos foram descobertos, como de destaque nos anos 80, Augusto Liberato e Fausto Silva. Os dois em ascensão, um na antiga TVS e ele pela Bandeirantes, travariam anos mais tarde uma história batalha pela audiência aos domingos.

O “boom” desse segmento veio nos anos 90, quando todas as emissoras tinham atrações do tipo. Uma variedade vasta de conteúdo e entretenimento ao telespectador. Como dito, foi nessa época que presenciamos a antológica rixa entre o “Domingo Legal” e “Domingão do Faustão”, onde ambos apresentavam todas as suas armas possíveis na disputa pela preferência da audiência.

Tivemos registros vergonhosos, claro, como um festival de peitos e bundas em plena tarde dominical, como também bizarras histórias que chamavam a atenção de todos. Assim como diz o ditado, “Se botar uma lona, vira circo”. Mas era desse circo que o público gostava e nada poderia deter esse tipo de conteúdo.

Aos poucos, as emissoras foram perdendo um tanto quanto a criatividade no conteúdo de suas atrações. Por determinações judiciais, os peitos e bundas deram lugar a um conteúdo mais família, menos apelativo. A partir daí a nossa TV conheceu um novo tipo de conteúdo de audiência fácil e nunca mais largou: o assistencialismo.

Ainda com o “Domingo Legal” sob o comando de Gugu, o animador viu como maneira de se “redimir” do público e do mercado publicitário o escândalo do PCC com ajuda a pessoas menos favorecidas.

Ajudar, claro, nunca é demais, mas a questão foi a forma como isso se tornou exaustivo a ponto de vários programas dominicais apostarem nesse tipo de conteúdo. A audiência disso vem fácil, como nos casos do “Domingo Show” de Geraldo Luis e o “Hora do Faro” de Rodrigo Faro. Mas será que é a única forma de se conquistar bons índices no Ibope? Creio que não.

O maior exemplo disso foi o recente e excelente “Tamanho Família”, apresentado por Márcio Garcia. Investindo no tradicional game de família, o programa reconquistou o primeiro lugar perdido pra Record no horário e vejam só: sem precisar de trilhas sofríveis e closes agora não em partes sexys do corpo mas sim em um verdadeiro riacho que sai dos olhos do inocente explorado.

Não podemos esquecer de outros dois maiores exemplos: “Domingão do Faustão” e “Programa Silvio Santos”. Um, apesar de algumas fases aos trancos e barrancos, seguiu firme em seu conteúdo clássico com a presença de artistas globais e as lendárias videocassetadas. O outro, quase 60 anos depois, continua com um mesmo formato onde seu animador interage com uma plateia durante algumas horas.

O conteúdo de ambos conquista resultado suficiente pra satisfazer os padrões de suas respectivas emissoras, tudo isso sem precisar recorrer ao apelo emocional dos telespectadores.

Nada melhor do que dois dos maiores nomes da história da nossa TV pra provar que audiência ainda pode ser conquistada pela clássica forma de um programa de auditório.

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