Pensei, Digitei: Silvio Santos faz SBT dar passos pra trás sob seu comando

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Em uma histórica entrevista no extinto “Show de Calouros”, Silvio Santos declarou que o seu desejo não era de tornar um dono de televisão, de ser um homem de vaidades. Ele afirmou que precisou se tornar um dono de televisão porque os outros donos de televisão lhe fecharam a porta.

Isso, foi dito no final da década de 80, quando o SBT já era a segunda maior rede de TV do país. Naquela época, Silvio já tinha duas funções na emissora: ser apresentador e também diretor de programação.

Pra quem viveu na época, certamente se lembra de ideias mirabolantes que vinham do empresário. Anúncios na programação garantindo a exibição de um grande filme somente com o fim da novela das 8 está entre elas.

Em seu histórico como responsabilidade de programação, o dono o SBT tem mais acertos do que erros. Porém, nesses últimos tempos, isso tem mudado. A maior prova disso são as suas atitudes recentemente.

Se antes as novelas mexicanas eram um trunfo para recuperar audiência e reverter o prejuízo financeiro por fracassos após altos investimentos, hoje elas não tem mais a mesma força. A sétima (parece piada) exibição de “A Usurpadora” comprova isso. Com índices ainda piores do registrado antes no horário, a trama das gêmeas Paola e Paulina não deteve até o momento o sucesso do “Balanço Geral”.

Outro que vale destaque é o “Primeiro Impacto”. Lançado às pressas no comando, Dudu Camargo ainda não conseguiu vencer seu principal concorrente, Luiz Bacci. Antes, sob o comando de Karyn Bravo e Joyce Ribeiro, o jornal conseguia resultados melhores.

Outra medida feita por Silvio, foi a parceria com a Disney, lançando o infantil “Mundo Disney”. Apesar dos bons resultados de segunda a sábado, aos domingos a atração deu de prato cheio toda a audiência pro “Domingo Show” de Geraldo Luis. Como um efeito cascata, a baixa audiência do infantil prejudica o “Domingo Legal” que já sofreu diversas mudanças em seu conteúdo e, por consequência, o também programa “Eliana”. Este último deixou de ser ao vivo por não conseguir vencer o “Hora do Faro”.

Alguns vão pensar “mas a emissora é dele, faz o que ele quiser”. De fato, e ele lutou e muito pra conseguir realizar esse sonho. Mas até que ponto ser o dono de uma rede de televisão pode justificar a limitação e até o prejuízo em questão de qualidade e conteúdo pra uma empresa como o SBT?

Cansamos de ver diversos projetos com potencial cancelados por puro achismo (ou quem sabe birra). Novelas esticadas pra sugar ao máximo a sua audiência (e desgastar a sua história). Projetos jornalísticos sem uma identidade com o público. Programas de auditório com pilotos gravados e nunca levados ao ar.

Tudo isso só nos mostra que, como animador, Silvio Santos dá ao SBT cerca de 10 passos a frente por ter alguém como ele em seu casting. Porém com um mesmo Silvio Santos, mas como diretor e dono, 20 passos pra trás.

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