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Conversa com Bial – 06/09/2018: Daniel Becker, Brenda Fucuta e mais

Conversa com Bial – 06/09/2018: Daniel Becker, Brenda Fucuta e mais

No Conversa com Bial desta sexta-feira, 06 de setembro, Pedro Bial recebe Daniel Becker, Brenda Fucuta.

“A internet transformou a tarefa de educar em algo infinitamente mais complexo”. Esse é o “diagnóstico” do pediatra Daniel Becker e também o tema central da discussão abordada no ‘Conversa com Bial’ desta quinta-feira, dia 6. Esse novo mundo que se apresenta para todas as gerações é um desafio para quem está tentando se entender com a tecnologia e, ao mesmo tempo, com quem está crescendo diante dela. Da geração em que a internet sempre esteve na palma da mão, a atriz Maisa Silva, de 16 anos, vem ao programa para dar o testemunho de uma pessoa que está, no mínimo, exposta a quase 16 milhões de seguidores diariamente, pelas redes sociais.

Por conta da carreira, iniciada aos 5 anos, a jovem tem uma postura bastante madura diante de assuntos como este, algo que surpreende até mesmo os demais convidados da atração. “Eu jamais mandaria um ‘nude’, acho que também pelo fato de eu ter uma exposição muito grande. Imagina se um dia vaza uma imagem minha, a desgraça que não ia ser pra minha vida?! É uma exposição que não quero pra mim. Mas isso é muito comum, mais normal do que parece. Então, eu sei de várias pessoas que chegam a mudar de escola, de cidade e até de sobrenome”, conta Maisa, que é corroborada por Brenda Fucuta, jornalista e autora do livro “Hipnotizados – o que nossos filhos fazem na internet e o que a internet faz com eles”.

Para escrever a obra, Brenda entrevistou diversos adolescentes e afirma que “o sexting é um formato tão válido hoje em dia quanto qualquer outro, mas os pais têm dificuldade em falar com filhos adolescentes”. A jornalista quis saber de Maisa, que convive com tantos adolescentes, o que ela faria caso uma amiga passasse pela situação de ter sua intimidade invadida. “Primeiro, tenho que pensar de maneira empática, né? Porque o pior que pode acontecer, me colocando no lugar dessa pessoa, é alguém jogar esse erro na minha cara. Tentaria colocá-la pra cima e, principalmente, falar pra procurar ajuda com terapeuta, psicólogo, porque isso é algo que vai deixar sequela na vida da pessoa. Não é fácil ter sua intimidade exposta. Principalmente nas famílias de meninas, tem todo um conservadorismo que foi imposto muitos anos atrás e as pessoas continuam pensando dessa maneira”, reflete.

Essa situação hipotética é o ponto de partida de “Ferrugem”, filme vencedor do Kikito de Ouro em Gramado, na última semana. O diretor do longa-metragem, Aly Muritiba, se junta ao papo para trazer mais um aspecto acerca do assunto. “O filme faz um breve e não pretensioso diagnóstico sobre esse mundo contemporâneo em que a gente fala muito, mas diz pouco, se toca muito pouco, vê muito pouco, escuta pouco. Fala da incomunicabilidade geracional entre pais e filhos, professores e alunos. Esse mundo conectado nos dá a falsa impressão de que estamos nos comunicando, mas essa comunicação é muito rasa, muito superficial”, alerta Muritiba, que trabalhou como professor e agente penitenciário antes de ser cineasta.

A fragilidade das relações, dividida entre telas, traça um panorama preocupante para a maneira como estamos, todos, vivendo em mundos individuais, fechados. “Certamente, a internet é a maior novidade no mundo da infância e adolescência. O que está acontecendo na adolescência hoje é resultado de um caminho percorrido desde a infância. Estamos vivendo um momento onde a infância está sendo massacrada e isso está produzindo adolescentes mais angustiados, mais deprimidos, com ideação suicida, com aumento dos sintomas mentais na adolescência – isso tem a ver com as questões próprias dessa fase, e vem de uma infância em que eles têm sido exilados de seus pais por 12 horas em creches, com pais distraídos pela internet, com comida industrializada, confinamento em casa e mergulhadas nos eletrônicos, submetidos a publicidade tóxica e conteúdo possivelmente nocivo de youtubers, exiladas da natureza. E aí essa criança chega na adolescência sem ter brincado, curtido parques, só indo a shoppings”, expõe o pediatra, salientando a necessidade de uma educação digital tanto para os filhos como para os pais.

O programa vai por volta das 00h20 logo após o Jornal da Globo.

Sobre o autor | Website

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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