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Conversa com Bial – 10/05/2018: Hélio Santos, Sônia Guimarães e Emicida

Conversa com Bial – 10/05/2018: Hélio Santos, Sônia Guimarães e Emicida

No Conversa com Bial desta quinta-feira, dia 10/05, Hélio Santos, Sônia Guimarães e Emicida.

“O que se chamou de liberdade era sinônimo de desamparo. Milhões de negros despejados na rua no dia 14 de maio, sem projeto de inclusão, sem projeto de nação. O mais longo dos dias, 14 de maio de 1888, até hoje não acabou.

Cento e trinta anos depois, há que se fazer ainda, todos os dias, a nova abolição.” Assim tem início o ‘Conversa com Bial’ desta quinta-feira, dia 10, quando o rapper Emicida e os professores Hélio Santos e Sônia Guimarães trazem um panorama sobre a data e o que ela deixou como legado.

“A desigualdade no Brasil tem procedência histórica, tem cor e tem também sexo. Então, a desigualdade é o principal obstáculo para que o país avance”, aponta o economista Helio Santos, presidente do Instituto Brasileiro da Diversidade e um dos principais inspiradores da política de cotas no país. Santos observa que, desde a declaração do fim da escravidão, há um comportamento que se tornou comum na nossa sociedade: o falso protagonismo.

“É muito comum atribuírem, por exemplo, a política de cotas a pessoas e partidos, tirando o protagonismo do movimento social negro, o único responsável por essa conquista. O mesmo aconteceu com a princesa Isabel, porque a monarquia não queria o fim da escravidão, foi a monarquia quem a protelou o tempo todo. Joaquim Nabuco, André Rebouças, José do Patrocínio, todos eles queriam terminar não só com a escravidão, mas com os efeitos que a escravidão provocou”, comenta.

Seguindo o mesmo discurso, o rapper Emicida avalia como essa situação afeta a população negra e sua própria trajetória. “Na escola, era uma sensação desagradável (quando se falava sobre a abolição), já que o protagonismo da nossa história não era nosso, era comum sermos alvo de piadas e insultos”, relembra.

“A princesa recebe todos os louros, mas ela estava ali muito por acaso, não era envolvida com a militância; descobri que ela tinha verdadeiro afastamento da questão política. É curioso como uma pessoa que estava ali (naquela função) por acaso se torna ícone de um momento tão importante e transforme em seres invisíveis todos esses personagens gigantes que lutaram por tantos anos pela libertação dos negros”, afirma o cantor.

Uma assinatura que colocou 700 mil negros como livres sem qualquer tipo de suporte traz como consequência a desigualdade que conhecemos hoje. Prova disso é que só no final do século 20 uma mulher negra conquistou o título de PhD em física no Brasil, justamente Sonia Guimarães, convidada do programa. Uma disparidade com a qual ela lida no ambiente de trabalho diariamente.

“Neste ano, eram mais de 12 mil candidatos, entraram 112 alunos, sendo sete meninas. Eles estão acostumados a ver esse tipo de gente (como eu) limpando a casa, cuidando deles. Aí, veem que sou eu que vou dar aula, que vou corrigi-los, que vou dizer ‘não, você está errado’. A minha autoridade tem que ser dita a cada dia, a cada lição, a cada nota baixa”, diz Sônia, sob olhar da mãe, Clélia Marcolino dos Santos, que admite ter insistido para que a filha deixasse de estudar e fosse trabalhar.

Além de cantar e refletir sobre a temática da atração – ao lado dos rappers Drik Barbosa e Rashid –, Emicida resumiu a relevância de se falar sobre esse assunto. “É muito importante que a gente converse mais sobre o tema, que a gente saiba conversar. Esta é uma discussão dolorosa para ambos os lados e o que a gente fez nessa noite, dialogando e colaborando, dividindo pontos de vista, é um oásis num deserto. Aqui, temos uma solução muito bacana para o nosso país”, declara.

O programa vai por volta das 00h20 logo após o “Jornal da Globo“.

Sobre o autor | Website

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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