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Conversa com Bial – 18/10/2018: Ai Weiwei

Conversa com Bial – 18/10/2018: Ai Weiwei

No Conversa com Bial desta quinta-feira, 18 de outubro, Pedro Bial recebe Ai Weiwei.

Nascido e criado em condições diversas, o artista chinês Ai Weiwei encontrou na arte a sua forma de comunicar, questionar e fazer refletir sobre temas tão caros à sociedade. Com o olhar de quem viveu, segundo ele, como um refugiado, Weiwei transpõe sua inquietação para as obras que cria. Nesta quinta-feira, dia 18, o artista é o convidado do ‘Conversa com Bial’ ao lado de Marcello Dantas, curador da maior exposição já realizada sobre o trabalho do chinês, que será inaugurada neste sábado, dia 20, na Oca do Ibirapuera (SP).

O seu primeiro contato com a arte foi ao lado do pai, o poeta Ai Qing, mas, ainda na infância, Weiwei se deparou com o amargo sabor da Revolução Cultural instaurada no país. “Meu pai tinha uma coleção de livros que era única, com coleções de livros sobre pintores, sobre esculturas, livros lindos, e outros também de poesias, como do Pablo Neruda. Ele decidiu queimá-los, porque aquilo podia trazer muitos problemas para nossa casa, e eu participei disso, tinha de arrancar folha por folha, porque alguns dos livros eram muito difíceis de serem queimados. E isso é algo de que você vai se lembrar pra sempre”, conta.

Essa marca é tão profunda que se reflete em sua obra, como explica Dantas. “Acho que este foi o momento fundador da arte dele, porque a vida inteira ele tenta reconstruir as coisas. Assim como quando ele pega as barras de ferro da escola que desabou no terremoto de Sichuan, em 2008, e matou 5 mil crianças, e tenta desentortá-las. Ele tenta consertar um pouco a história”, explica o curador, referindo-se a um dos trabalhos de Weiwei que será exposto pela primeira vez em sua totalidade.

Tal impacto do cotidiano sobre aquilo que o artista vai criar e apresentar ao mundo se repete com frequência ao longo de sua trajetória, como é o caso das 100 milhões de sementes de girassol feitas de porcelana (que remetem ao que ele comia na infância), ou a obra sobre refugiados que esteve no lago do Ibirapuera na última semana (o artista foi até o Mediterrâneo para acompanhar a chegada de refugiados à Grécia). Embora afirme que “a arte não é tão relevante na nossa sociedade, ainda é muito limitada”, Weiwei admite que faz tudo isso porque acredita no poder que ela pode ter. “Essa é minha intenção (que a arte seja também um ativismo), mas não necessariamente funciona dessa forma”, pondera o chinês.

O viés combativo de suas obras pode ter sido uma das razões que o levaram para a prisão em Pequim, em 2011 – embora a justificativa apresentada pelas autoridades seja “evasão fiscal” –, quando ficou 81 dias preso, sem qualquer direito. “Você desaparece de repente, ninguém sabia onde eu estava, eu também não sabia onde estava”, conta o artista, que fez instalações reconstruindo essa fase de sua vida.

Depois de quatro anos sem liberdade para sair do país, Weiwei passou a morar na Alemanha e todo seu histórico pessoal o colocou lado a lado com os refugiados entrevistados no documentário “Human Flow”. “Eu sou parte deles. Eu cresci em condições similares, tive as mesmas experiências de ser expulso, ninguém entende você, as pessoas te discriminam. Eu estava muito familiarizado com eles, por isso, nós falávamos a mesma língua e tínhamos a mesma sensibilidade”, completa.

O programa vai por volta das 00h20 logo após o Jornal da Globo.

Sobre o autor | Website

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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