Conversa com Bial – 25/04/2018: Fernando Henrique Cardoso

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Conversa com Bial
Imagem: Globo/Ramón Vasconcelos

No Conversa com Bial desta quarta-feira, dia 25/04, Fernando Henrique Cardoso.

Os 40 anos como importante figura pública e a experiência como sociólogo levaram Fernando Henrique Cardoso a um novo livro. Em “Crise e Reinvenção da Política no Brasil”, FHC, com os amigos Sergio Fausto e Miguel Darcy de Oliveira, demonstra um sentimento de esperança para o momento atual do país, com expectativa de que a obra seja lida por quem faz política e por quem quer escolher seus políticos.

No programa, ele admite que “se (o livro) pudesse influir (nas eleições), seria bom”. De acordo com sua análise, “tem 210 milhões de pessoas aqui que vão depender em larga medida do que vamos fazer nas eleições. O mundo está mudando, houve uma mudança no modo de organizar a produção que afetou todo mundo e as relações sociais. E as nossas estruturas são de outra época. Se nós não avançarmos, nós perderemos espaço na história”.

Assunto que está, há algum tempo, nos noticiários e nas conversas em todos os setores, a crise pela qual o Brasil passa é “mais geral do que brasileira”, de acordo com análise do ex-presidente. “Onde não há crise política? Onde há regime autoritário. O fato é que ela veio também vestida de outra crise, que é a da quebra da confiança dos eleitores nos eleitos, por conta da corrupção. Tivemos recessão, condução econômica desastrada, a Lava Jato. São várias crises ao mesmo tempo”, afirma.

Todas essas questões fazem do cargo de presidente, que ele conhece tão bem, algo mais delicado do que muitos podem pensar. Ao dizer que “o líder político brasileiro, hoje, tem que ter sentimento de urgência e grandeza”, o ex-presidente também ironiza aqueles que querem, a todo custo, alcançar o posto máximo da nação. “Estou vendo tanto candidato à presidência que fico até irritado. Eu queria até ser rainha da Inglaterra, então. Como é que alguém quer ser presidente por ser presidente? Que é isso?!”, comenta aos risos.

Outro convidado da noite, o sociólogo Sérgio Abranches também tece comentários sobre a conjuntura política e sobre a nova obra do ex-presidente. “(No livro) Eu prefiro a parte em que ele trata da mudança global; a visão dessa mudança global ainda está pouco enraizada na política brasileira. No que diz respeito a esta análise, tenho algumas críticas”, avalia Abranches. “Vamos divergir, porque divergir é bom”, defende FHC, presidente de honra do PSDB.

Quando saiu da política, Fernando Henrique falou com bom humor sobre um episódio que viveu no final da década de 70: o dia em que viu um OVNI nos céus de Fortaleza. “Estávamos eu, (o economista) Celso Furtado e a Ruth no carro. Eu vi, o Celso viu e a Ruth disse que não viu nada”.

O programa vai por volta das 00h20 logo após o “Jornal da Globo“.

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Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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