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Conversa com Bial – 26/10/2018: Hermeto Pascoal

Conversa com Bial – 26/10/2018: Hermeto Pascoal

No Conversa com Bial desta sexta-feira, 26 de outubro, Pedro Bial recebe Hermeto Pascoal.

“Sentir é de lascar”, ele diz. E isso está longe de ser uma queixa. É uma constatação feliz de quem acredita que “sem sentir, você sabe tudo pela metade. É como a fé: se você não sentir, de que adianta? E não pode faltar a esperança. Fé sem esperança é como cabeça sem cabelo, boca sem dente ou palavra sem boca”. O resultado de tanto sentir é a concepção de mais de 10 mil músicas, uma coleção de reconhecimentos ao longo da carreira e três novos discos recém-lançados aos 82 anos de vida. Hermeto Pascoal é esse artista em que a sensibilidade fez brotar, no agreste alagoano, o dom que pode ser visto no ‘Conversa com Bial’ desta sexta-feira, dia 26.

Na infância, fez dos passarinhos a plateia para sua apresentação de flauta de cano de mamona e, das brincadeiras no rio, mais uma aula de música na água, como ele exemplifica no programa, reproduzindo os sons em um copo d’água. “Falavam que eu estava doido e mamãe dizia ‘deixa, que ele é assim mesmo’”, lembra o músico, que também sabe bem fazer graça. “Eu nunca achei difícil nenhum instrumento, quando eu quero tocar. Agora, quando eu não quero tocar, não é porque acho difícil, é que não quero mesmo, não vou perder tempo”, conclui, mostrando como é possível tirar sons até de brinquedos infantis.

Mais ligado à sua arte do que àquilo que ela possa lhe proporcionar, Hermeto se acostumou a levar uma vida sem luxo, sem requinte e também sem apego a valores materiais. “Você não se preocupa com dinheiro?”, questiona Pedro Bial. “O dinheiro é que tem que se preocupar comigo. Olhe bem como dinheiro é malvado: (é preciso) dinheiro para batizar, dinheiro para o leite, dinheiro para viver e aí, quando morre, dinheiro de novo para pagar enterro. Sacanagem, né? Tem que usar dinheiro para o que você quer comprar”, responde o mestre sob o olhar atento do filho. Em certa oportunidade, no banheiro do aeroporto em Nova York, Hermeto sacou uma nota de cem dólares e deu para o faxineiro, sem sequer olhar a quantia da qual se desfazia.

Assim, Hermeto mantém seu contato com a vida e com Deus, com quem conversa vez ou outra. “A patroa (esposa) faleceu, falei pra Deus que já tinha feito tanta coisa no mundo: Sei que o senhor me colocou nesse mundo pra ser músico, mas minha patroa ama os filhos, os filhos precisavam mais dela, porque ela não fica mais tempo aqui. Por que não me levou?’”, quis saber o viúvo, mesmo depois de dois anos da morte da mulher. “Ele disse: ‘quando Ele chama, não tem jeito, não. Nem a fé segura a sua razão’”. E eis que nasceu mais uma música.

Fazer canções é algo que simplesmente acontece com Hermeto, e isso ele mostra com um presente que fez para Bial. Antes de chegar ao programa, no quarto do hotel, traçou uma partitura em um pedaço de papel e compôs “Bialzando”, “uma valsinha bonitinha”, segundo o criador para emoção do apresentador.

O programa vai por volta das 00h20 logo após o Jornal da Globo.

Sobre o autor | Website

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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