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Luca Moreira recebe Kiko Mascarenhas em sua coluna

Luca Moreira recebe Kiko Mascarenhas em sua coluna

No ar atualmente como Teófilo Quaresma em “O Tempo Não Para”, o ator Kiko Mascarenhas, ganhou o coração de muitos brasileiros nos últimos tempos. Com um currículo bastante extenso na televisão, no cinema e no teatro, iniciou sua carreira artística por acaso, pois quando criança, apesar de ter o desejo de trabalhar com a arte, o teatro ainda era algo muito distante em seu pensamento. Entre seus sucessos mais recentes na televisão estão “Mister Brau” e “Escolinha do Professor Raimundo”.

Conheça um pouco mais de sua jornada e  mais detalhes sobre seus principais trabalhos.

Quando foi o seu primeiro contato com a arte?

Eu sempre me interessei e fui atraído por atividades artísticas. Quando criança e adolescente eu queria ser desenhista, ilustrador de livros infantis, escritor… O teatro era algo tão distante de mim, da minha realidade, que nem me atrevia a sonhar em ser ator. Sabia, de alguma forma, que meu caminho seria a arte, mas ainda não havia encontrado minha verdadeira vocação. Em 1984 fiquei sabendo de um teste para a peça Os Meninos da Rua Paulo que era uma adaptação para o palco assinada pelo Claudio Botelho para o livro homônimo do húngaro Férenc Mólnar – fui ao teste sem nunca antes ter lido nenhuma peça de teatro na vida, sem a menor noção de como seria. A audácia da juventude! Algum tempo depois ligaram: eu havia sido aprovado. E assim comecei essa carreira que abracei até hoje.

Já tendo trabalhado com muitos nomes consagrados no teatro Ulysses Cruz, Monique Gardenberg, Christiane Jatahy, Marcelo Saback, Miguel Falabella, qual acredita ter sido o momento mais marcante de sua carreira nos palcos?

Considero o fato de estar no palco, por si só, uma grande oportunidade de me aprimorar. Trabalhei ao longo desses anos com muitos diretores. Com alguns aprendi mais, com outros nem tanto, mas considero todos os trabalhos que fiz no teatro fundamentais para minha formação como ator. Minha formação e o aprimoramento do meu trabalho devo à todas as oportunidades que tive de estar em cena. E não só os diretores me ajudaram nessa caminhada, mas muitos colegas de cena ajudaram a fazer de mim um ator melhor.

Como está sendo fazer parte do elenco de “O Tempo Não Para”, e qual foi sua preparação para viver seu personagem?

Tivemos algumas semanas de preparação dentro dos Estúdios Globo com excelentes profissionais – jogos de integração para unir o elenco, aulas de etiqueta e noções sobre o comportamento e os costumes da época (século XIX), improvisações – tudo isso ajudou muito a encontrar caminhos que pudessem servir ao personagem e à história que estávamos prestes à contar. Me inspirei nos antigos atores que pronunciavam as palavras de forma extremamente articulada – minhas referências para começar a construir o Teófilo vieram de atores como Tarcísio Meira, Flavio Migliaccio, Ari Fontoura, Emiliano Queiroz, Francisco Cuoco, Jorge Dória, Renato Aragão, Mazzaropi, Chico Anysio… um pouco de todos esses grandes artistas que admiro e que tive a sorte de assistir em cena no teatro, na televisão e no cinema.

De 2015 a 2017, você participou do remake da “Escolinha do Professor Raimundo”, grande sucesso de Chico Anysio. Quais foram os desafios para encarar esse projeto que já havia marcado milhares de gerações?

Considero a Escolinha um dos grandes desafios que enfrentei nos últimos tempos, na televisão. Eu sempre assistia e era fã daquela turma de atores/comediantes e quando Cininha de Paula me fez o convite, aceitei sem titubear. Só quando comecei a me preparar para interpretar o Galeão Cumbica percebi que era algo muito mais difícil do que eu havia imaginado. Roni Cócegas criou e imortalizou esse tipo que ficou na memória do telespectador — reproduzir sua criação seria impossível. Então busquei me aproximar do personagem sem cair na armadilha de tentar imitá-lo. O mais bonito para mim, além do grande prazer de fazer parte daquela nova turma, que considero talentosíssima, foi perceber que o Galeão Cumbica continuava encantando as crianças. Essa foi a maior recompensa desse trabalho: resgatar esse humor ingênuo criado pelo Roni e receber o carinho da criançada.

Não foi só na televisão e no teatro que o seu trabalho fez sucesso, nos cinemas também colecionou inúmeras produções. Seu último filme de maior sucesso foi “Até Que a Sorte Nos Separe” contracenando com Leandro Hassum. Ainda guarda boas lembranças da época dessa produção?

Guardo para sempre os momentos de riso frouxo que tive ao lado do Hassum, que adora me fazer rir. E não é nada difícil rir com o humor rápido, inteligente e certeiro do Leandro. Já nos conhecíamos há anos, mas fazer essa trilogia juntos selou nossa amizade, afinou nosso jogo de cena e nos fez grandes parceiros. Sou muito grato a ele por tornar nosso trabalho tão divertido e prazeroso. Inesquecível.

Entre os anos de 1994 e 1996, foi coordenador do projeto Drama Club do Cultura Inglesa. Como foi a experiência de poder compartilhar seu talento no teatro durante as aulas?

Criei um projeto para a Cultura Inglesa do Rio, que despertava nos jovens o interesse pelo teatro. Tínhamos aulas de interpretação, história do teatro, preparação corporal, preparação vocal, e fazíamos montagens de peças de dramaturgia britânica. Além disso, os próprios alunos aprendiam a criar cenários, figurinos, trilha sonora, iluminação… enfim, um mergulho na carpintaria teatral. Ensinei, mas também aprendi muito com essa experiência.

Como foi trabalhar com Jorge Furtado em “Mister Brau”?

Jorge Furtado é um dos grandes roteiristas com quem tive a sorte de trabalhar. O universo criado por ele para o seriado Mister Brau mudou a cara da tv brasileira ao colocar no centro da trama um casal de artistas negros talentosos, bem-sucedidos, em histórias que tratavam de temas sérios, relevantes, mas com inteligência, leveza e muito bom humor. Jorge é um cara genial e me sinto honrado por fazer parte desse projeto.

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Estamos passando por um momento turbulento, na história de nosso país. A cultura deixou de ser considerada importante e nosso trabalho como artistas virou alvo de crítica por parte de alguns segmentos da sociedade, o que me entristece. Nosso trabalho é feito para o público e sempre será assim. Falando especificamente sobre o teatro, que é o começo de tudo, que é o lugar do encontro entre o artista e seu público, torço para que vença o bom senso e que nossas plateias estejam sempre cheias. Isso será um sinal, uma resposta à tudo que vem acontecendo: enquanto existir o teatro, enquanto houver um ator sobre o paço e uma plateia interessada em ouvir uma história, haverá esperança de dias melhores — aí estará a verdadeira resistência.

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