Rafael Sardão dita conselhos sobre atores: “estudo e vocação máxima”

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Foto: Divulgação / Rebeca Gama - Guilherme Abreu Produções

Carregando consigo uma grande e extensa bagagem em seu currículo na televisão e no teatro, o ator Rafael Sardão, falou um pouco para o N10 Entretenimento sobre como é sua vida fora das telinhas.

Do teatro para a televisão, o ator vem se consolidando com o tempo e caindo cada vez mais nos corações do público brasileiro.

Um dos seus maiores sucessos na tela foi o joalheiro Uri, na telenovela da Record “Os Dez Mandamentos”, além de também ter gravado outros sucessos como “Rebelde”. Mais uma coisa é certa: quando se pede para escolher um personagem favorito, aí complica tudo (risos).

Atualmente o ator trabalha em seu novo projeto no teatro, o espetáculo “Passional”.

Como e quando foi que você decidiu pela primeira vez que queria se ator?

Isso não se deu em um momento somente, foi se construindo durante as vivências que fui tendo durante os anos de profissão. Mais um momento decisivo, foi quando, em 2006, deixei de lado o trabalho em comércio e decidi investir todo o meu tempo para minha carreira. Esse momento foi fundamental para a continuidade da minha carreira.

Você como ator já esteve tanto na televisão como no teatro. Em sua opinião, qual é a principal diferença em atuar no palco e na televisão?

Uma diferença fundamental é que no teatro você se debruça sobre aquele mesmo texto, pesquisa e repete aquele mesmo texto por meses, ou até anos. Na TV os textos são mais dinâmicos, você constrói um personagem enquanto vai fazendo diversos textos diferentes que só serão falados uma vez, naquele dia de gravação, e depois já é outro texto, e outro texto, então o ator precisa ter bagagem, para dar conta desse volume de trabalho que a televisão te traz. Não há o mesmo tempo para construir o seu personagem, como acontece no teatro. Tudo é muito rápido e o ator precisa estar preparado para dar conta dessa velocidade. Essa é uma diferença fundamental, e talvez por isso o teatro seja a melhor escola de atores que existe. Porque te dão tempo de pesquisar, errar, evoluir no seu trabalho. Eu me considero sortudo de ter conhecido e amado o teatro antes de chegar à TV.

Ao longo dos anos, você já foi se consolidando como ator. Qual são os prós e os contras em relação a carreira e a fama?

Eu não sei muito dizer de forma tão cartesiana sobre o que mudou, ou os prós e contras da carreira. Acredito que se você ama a profissão que escolheu, vai colher bons frutos e seus dias de trabalho serão mais gostosos de se lhe dar. E, nesse sentido, são muitos os prós de conseguir se consolidar na carreira, de forma que hoje em dia eu só consigo agradecer à vida que me foi permitido ter. E procuro sempre entregar o melhor de mim em todos os trabalhos que tenho a oportunidade de fazer, acredito que esse é o caminho para ser bem-sucedido na profissão, ser obsessivo pelo trabalho, uma obsessividade positiva que te obriga a dar o melhor de si sempre.

O que mudou na minha vida é que hoje eu consigo investir nos meus projetos pessoais, estou prestes a entrar em cartaz com o espetáculo “Passional”, lançando o meu primeiro livro que deu origem à peça, enfim, investindo para trazer ao público que se identifica comigo, um pouco mais do meu trabalho, para além da televisão.

Assim como todo artista hoje em dia, não podemos negar que as mídias sociais estão conseguindo de forma indireta aproximar cada vez mais os fãs e coloca-los cada vez mais presentes no dia-a-dia do ator. Como você enxerga a sua situação nessa área?

Eu adoro o carinho que recebo pelas redes. Realmente a proximidade que se alcança com essa interação se tornou o melhor e mais rápido Feedback do nosso trabalho.

Eu procuro ler tudo o que me mandam, nem sempre é possível responder, mas eu tento sempre que possível. E no mais uso minhas redes para falar dos meus trabalhos atuais, deixando sempre o público a par dos projetos nos quais estou me engajando.

Para aqueles que sonham com a carreira de ator, qual é o seu principal conselho que gostaria de passar a essas pessoas?

Estudo e vocação máximas. Se você quer ser um ator, precisa assistir bons filmes, ler bons livros, ir ao teatro, fazer teatro, errar muito e aceitar que errou, precisa se embrenhar no mundo das artes. É um mundo fascinante, enorme. Um ator, ou artista, sem cultura, sem referências, não sobrevive no seu meio profissional. Então consuma muita cultura sempre.

A sua primeira novela que você integrou o elenco foi “Rebelde”, e hoje em dia você já está nos mais variados projetos e com reconhecimento no Brasil inteiro. No começo você já imaginava que um dia chegaria no ponto que você está hoje?

Eu acho que todos que ingressam em uma profissão miram estar em lugares de destaque na sua carreira, eu não sou diferente, tenho muitos sonhos profissionais a realizar ainda e continuo buscando eles, sempre agradecendo e consciente do lugar que ocupo hoje, no entanto, como costumo brincar entre amigos, nunca satisfeito. Sempre querendo evoluir e alcançar novos desafios.

Em todo o seu currículo, qual foi o personagem que você mais se identificou na hora de interpreta-lo?

Caramba, difícil essa pergunta… (risos). Eu acho que a gente acaba se doando um pouquinho para cada um deles, mas acho que as dificuldades são sempre mais interessantes.

O Joalheiro Uri, de Dez Mandamentos, por exemplo, foi um grande desafio que tive na minha carreira, por se tratar de um personagem controverso, com uma função na trama de ser o exemplo negativo, a não ser seguido.  Como fazer esse cara também ser amado? Era um desafio que eu me propus, e que me enche de alegria por toda a resposta que tive do nosso público.

Uma produção que também alavancou muito o sucesso e a admiração do público foi “Os Dez Mandamentos”. Por ser tratar de uma trama baseada numa história bíblica verdadeira. Houve alguma preparação especial para que você pudesse conhecer mais o seu personagem no caso?

Sim. Tivemos aulas com egiptólogos e professores especialistas no tema, além de buscar referências em seriados que passeiam pelo universo épico, e leitura sobre o assunto, pesquisas em internet, etc.

Qual foi a cena mais complicada que você se lembre de ter feito na sua carreira?

A cena do encontro entre Salmon e Raabe, que o nosso diretor incrível, Ajax Camacho, propôs a cena inteira em plano sequência na cidade cenográfica de Jericó. A cena tinha uma mecânica muito complexa de movimento de câmera em steadyCam com 5 atores envolvidos na cena e bastante texto, com emoção do primeiro encontro do casal, enfim, muitas peças trabalhando juntas para criar a cena, levamos quase três horas nela. Mas valeu a pena, a cena ficou linda.

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Aficionado pela área de entretenimento, já teve passagem por diversos projetos e tendo inclusive aos 17 anos recebido convite para seu primeiro estágio na Fazart Produções, no Rio de Janeiro. Como colunista, já passou por vários sites de entretenimento conhecidos na mídia brasileira, como o Almanaque Mídia e o Minuto Livre. Atualmente é entrevistador e colunista dos site Registro Pop e do N10 Entretenimento.

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