Soraya Abuchaim faz laboratórios e cursos para mergulhar em suas histórias

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Foto: Divulgação / Priscilla Silvestre

A escritora Soraya Abuchaim é natural de Vinhedo, no interior de São Paulo, e descobriu seu dom para a escrita quando tinha um blog para simplesmente postar seus contos. Deste hobby nasceu uma profissão, que embora ainda não seja a sua grande fonte de renda dela, é a sua maior conquista.

Prestes a fazer 34 anos, ela já acumula alguns anos de escrita, com livros que navegam entre o terror e o suspense, gêneros que ela considera suas grandes paixões. Tanto que ela não se vê desenvolvendo alguma coisa fora disto, com exceção de algo fantasioso, mas que ainda envolvesse temas relacionados ao que ela ama explorar.

“Minha carreira começou de repente. Eu tive um conto – ‘O vizinho suspeito’ – lançado em uma antologia chamada ‘Horas Sombrias’ (Andross) e depois consegui publicar o thriller psicológico ‘Até eu te possuir’ (Editoria Ella). Esse suspense conta a história de Johanna, uma mulher que perdeu tudo na vida e, quando achava que os caminhos estavam se abrindo, se envolve com um homem que guarda um segredo mortal”, explica.

Com muitos elogios recebidos pela crítica nesta primeira obra lançado na Bienal do Livro de SP em 2016, sua confiança aumentou e hoje já agrega mais nomes para o seu currículo como autora. “Há o ‘A Vila dos Pecados’, já lançados fisicamente, e ‘Maldito Seja’, na versão e-book, além de diversos contos, como ‘Madrugada Macabra’, ‘Forasteiro’, ‘Cotidiano’, entre outros, sempre percorrendo entre o terror e o suspense, para prender o leitor do início ao fim”.

Para levar informações diferenciadas e até mesmo se basear em histórias reais, a escritora “Dark Queen” (ou Rainha Dark) utiliza métodos parecidos com os feitos por atores e atrizes antes de encarnarem um papel, conhecidos como laboratórios. “Recentemente, fiz um curso sobre mentes criminosas, para me ajudar na criação dos personagens. Mergulho de cabeça no tema, pois o leitor quer ser surpreendido. Também faço muita pesquisa e, se necessário, converso com pessoas que entendam da área de abrangência. Isto aconteceu no ‘A Vila dos Pecados’, em que diversos especialistas me deram dicas sobre o funcionamento da Igreja Católica”, complementa.

Livro “A Vila dos Pecados” (Foto: Divulgação / Priscilla Silvestre)

O que é essencial para um livro ser sucesso na Era Digital?

Soraya é categórica ao afirmar que a identidade do autor é primordial na produção. E, segundo ela, é um dos grandes diferenciais que destacam um escritor do outro. Com um público de leitores mais maduros, balanceado entre homens e mulheres, ela aponta a linguagem adequada como algo que faz com que ela se caracterize. “Eu, por exemplo, sou mais adepta ao estilo da escrita mais elaborada. Gosto mesmo de explorar nosso vocabulário. E busco, sempre que dá, fazer os finais das minhas histórias abertos, para fugir dos clichês”.

Quanto ao mundo cibernético como uma nova maneira de leitura, ela acredita que saber explorar esses nichos seja a melhor saída. “Acho que hoje o autor tem de pensar nas duas formas, os e-books e o impresso. As plataformas virtuais são de suma importância, mas ainda há muito público para o livro físico. O importante é que o autor esteja acessível para todas as possibilidades”, finaliza.

Conheça mais sobre o trabalho da Dark Queen nesse bate-bola!

– No cenário geral, como anda a Literatura Brasileira?

Soraya Abuchaim – Embora ainda sofra preconceito, principalmente por parte dos mais jovens, tem conquistado o seu espaço. Hoje, posso dizer que temos no Brasil muitos autores excelentes, que não deixam nada a desejar para os estrangeiros tão aclamados pela crítica mundial. É só uma questão de tempo para ganharmos cada vez mais espaço.

– Muitos dos livros mais vendidos são de autoajuda ou de especialistas, como Augusto Cury, que ficou em primeiro lugar com o livro “Ansiedade” como um dos mais vendidos durante muito tempo. Em sua opinião, qual o motivo disso?

Soraya Abuchaim – Acredito que as pessoas procuram livros que possam trazer um bem-estar que, muitas vezes, elas não tem conseguido na vida agitada que levamos hoje em dia. Claro que isso é apenas uma hipótese, mas percebo que quanto mais nos ligamos às redes sociais, menos contatos físicos temos. E isso acarreta uma série de comportamentos que acabam levando as pessoas, consciente ou inconscientemente, a buscar ajuda nesse tipo de leitura (ou mesmo outros tipos de auxílio, claro).

– O que você sente de diferente dos livros de hoje se comparados aos clássicos da nossa Literatura?

Soraya Abuchaim – Tudo (Risos). Na verdade, embora hoje tenhamos muitos autores que explorem histórias mais profundas e com linguagem rebuscada, a nossa literatura está se adaptando à mente dos jovens, que são nossos leitores em potencial. Ouço muito de adolescentes a denominação “chata” ao se referirem aos clássicos. Isso não espelha minha opinião, já que simplesmente amo a nossa literatura mais antiga. Mas nós, como escritores contemporâneos, temos de entender o que nosso público deseja, para, assim, podermos suprir essa carência literária.

Uma coisa é fato: muitos estudantes acabam se “traumatizando” com clássicos que são obrigados a lerem na escola e acham que toda literatura é assim (não são palavras minhas, mas sim coisas que já ouvi de adultos que hoje não gostam de ler). Os autores modernos estão aí para mostrar que ler pode, sim, ser prazeroso. Os clássicos são uma segunda etapa para quem começa a gostar de ler.

– O que um livro físico precisa ter para atrair leitores nessa época em que muitos, principalmente as gerações Y e Z, estão condicionados à leitura em aparatos tecnológicos?

Soraya Abuchaim – Acho que os livros físicos perderam sim um pouco de espaço na leitura de hoje, mas ainda há muito público para eles. Em primeiro lugar, o livro precisa ser bonito, daqueles que valem a pena ter na estante. Depois, um papel para leitura confortável e a letra em tamanho adequado ajudam muito, porque muitos leitores digitais se adaptam para dar mais conforto à leitura.

O escritor de hoje precisa ter em mente que há público para as duas formas de leitura. Há quem venda mais livro digital, outros vendem muitos livros físicos. Mas volta a ressaltar: é imprescindível que o autor conheça seu público e explore novos leitores cada vez mais, valendo-se de tantas formas de leitura maravilhosas que temos hoje.

Livro “Até Que eu Te Possua” (Foto: Divulgação / Priscilla Silvestre)

– Quais são os quesitos essenciais para um livro de suspense ou terror fazer sucesso?

Soraya Abuchaim – Trazer elementos que deixem o leitor com medo, com expectativa pós-suspense e, por que não, nojo também. São as formas clássicas do terror e do horror. O público que gosta desse gênero estava muito tímido há alguns anos, embora houvesse muitos blogs e sites especializados.

Então, surgiu a editora DarkSide, que foca apenas nesse nicho e foi a felicidade dos amantes de suspense e terror. Agora, os autores nacionais desse gênero estão aparecendo e, com a gente, nossos leitores. O bacana é trazer leitores também para o lado negro (Risos). Sempre fico feliz quando alguém me fala que nunca tinha lido um  suspense  ou terror e adorou a leitura por ter lido algo de minha autoria.

– Como um escritor cria a sua identidade, em meio a tantas outras obras disponíveis no mercado?

Soraya Abuchaim – É um conjunto de itens: a identidade começa quando o autor escolhe escrever o gênero que ama, não apenas escrever o que dá dinheiro. A linguagem utilizada é importante, assim como o estilo da narrativa, porque acaba se tornando como uma assinatura.

Apostar nas redes sociais e na sua imagem perante os leitores também é importante. Eu fui dar uma entrevista esses tempos atrás e quase coloquei uma blusa cor de rosa. Depois pensei: “Caramba, escritora de terror pelo menos deve aparecer de preto”. Temos de nos atentar a isso também. É, portanto, a criação de uma identidade literária aliada à visual.

Outra coisa é a forma como o escritor trata e corresponde aos leitores também, que é essencial. Nada de estrelismo, porque não somos nada sem aqueles que nos leem. Devemos estender tapete vermelho para cada leitor e parceiro.

– Por fim, você tem o sonho de ver um dos seus livros virar um filme? Se sim, qual deles e por quê?

Soraya Abuchaim – Sim, com certeza! Eu escolheria A Vila dos Pecados. Além de trazer muito suspense e elementos de terror, foi uma vila fictícia, criada por mim, e a história se passa no final do século XIX. Eu vejo essa história linda nas telonas, para aterrorizar muitos espectadores. De tudo que já escrevi até hoje, tenho um carinho especial por esse livro.

Livro “Madrugada Macabra” (Foto: Divulgação / Priscilla Silvestre)

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Aficionado pela área de entretenimento, já teve passagem por diversos projetos e tendo inclusive aos 17 anos recebido convite para seu primeiro estágio na Fazart Produções, no Rio de Janeiro. Como colunista, já passou por vários sites de entretenimento conhecidos na mídia brasileira, como o Almanaque Mídia e o Minuto Livre. Atualmente é entrevistador e colunista dos site Registro Pop e do N10 Entretenimento.

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